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Arrais Figueiredo
Cozinhas industriais · Exaustão · 30 set 2026 · 5 min de leitura

Quando o duto existente é a restrição

A rede está instalada, não pode mudar, e a coifa não dá conta. Antes de trocar ventilador ou duto, a pergunta certa é quanto ar a cozinha realmente precisa exaurir.

Escrito por Gustavo Arrais Figueiredo Engenheiro mecânico · Arrais Figueiredo Engenharia

Existe um tipo de chamado que se repete. A cozinha está funcionando, o shaft já tem a rede instalada, o traçado passa por lajes que ninguém vai abrir, e alguma coisa mudou: entrou um equipamento novo, a operação cresceu, ou o sistema nunca funcionou direito. A fumaça escapa pelas laterais da coifa, e a pergunta que chega é quase sempre a mesma: dá para trocar o ventilador por um maior?

Quase nunca é esse o caminho. A rede tem um limite de velocidade definido pela norma, e mais vazão na mesma seção só aproxima o sistema desse limite, ou passa dele. O ventilador maior resolve a aritmética e cria um problema de conformidade, de ruído e de consumo. Quando a rede não pode crescer, quem precisa diminuir é a necessidade de exaustão. E ela costuma ser maior do que precisa.

Os casos a seguir mostram de onde essa sobra costuma vir.

Antes de qualquer solução, refazer a conta que já existe

O primeiro caso foi um refeitório corporativo de grande porte, que precisava receber um equipamento de cocção novo. Antes de acrescentar qualquer coisa, refiz o cálculo do sistema que já estava instalado. E ele já estava errado: a velocidade no duto tinha sido calculada pela área da seção retangular, e não pelo diâmetro equivalente. Com a conta corrigida, a rede já operava acima do limite antes mesmo do equipamento novo.

Isso mudou o problema. Não bastava abrir espaço para mais um equipamento; era preciso reduzir a vazão do conjunto inteiro. Muita restrição que parece nascer de uma reforma é, na verdade, um erro antigo que ninguém tinha conferido.

O tipo de coifa muda a conta

A ABNT NBR 14.518 separa as coifas pela forma. A coifa de ilha tem os quatro lados abertos para a entrada de ar. A coifa de parede tem a mesma construção, com um, dois ou três lados fechados, sendo um deles longitudinal. Na conta da norma essa diferença pesa: cada lado fechado é um lado a menos por onde o ar precisa entrar com velocidade suficiente para conter a fumaça, e a vazão exigida cai.

No refeitório havia uma coifa de ilha muito grande, sobre um bloco de cocção central. Um fechamento de vidro ao longo do eixo dela, separando um lado do bloco do outro, transformou uma coifa de ilha em duas coifas de parede, costas com costas. As duas continuaram grandes, mas a soma das vazões ficou menor que a da ilha original.

O fechamento de vidro não é acabamento. Ele muda a categoria da coifa na norma, e com ela a conta inteira.

O ganho não parou na vazão. Da coifa inteira, trocamos um único trecho: o que ficava sobre o equipamento novo, que exigia uma cota de sobreposição frontal maior do que a coifa existente oferecia. Todo o resto foi reaproveitado. Sem o fechamento, a saída seria trocar a coifa inteira, ou um lado inteiro dela, e a vazão subiria ainda mais, justamente numa rede que já estava no limite.

A mesma estratégia se repetiu no salão. Havia coifas de ilha sobre bancadas de preparo no meio da circulação dos funcionários. Não havia parede ali, e por isso elas tinham sido feitas como ilha, mas nada obrigava a isso. O fechamento de vidro resolveu da mesma forma: reduziu a vazão e manteve a transparência do ambiente, que era justamente o motivo de não haver parede.

Uma dessas coifas atendia um único equipamento, classificado como leve. A norma classifica os equipamentos de cocção pelo tipo de efluente que geram, e a vazão acompanha essa classificação. Enquadrado corretamente, esse ponto teve a vazão reduzida mais uma vez, e todas as coifas do salão foram reaproveitadas.

Tirar uma coifa da rede

Existe um terceiro caminho, que não coube naquele projeto e que já resolveu outro: a coifa de recirculação. A NBR 14.518 também se aplica aos equipamentos que tratam o ar e o devolvem ao ambiente, e eles são uma alternativa real quando a restrição é a rede. As condições são estritas: o equipamento de cocção precisa ser elétrico, a coifa precisa ser certificada para recirculação, e o calor que ela devolve ao ambiente entra na carga térmica da climatização.

O caso era de velocidade alta no duto, e uma das coifas atendia apenas um cooktop elétrico. Tirei essa coifa da rede e a troquei por uma coifa de recirculação certificada. A vazão do sistema caiu, e a velocidade voltou para dentro do limite.

O ganho veio em dobro. A reposição de ar daquela cozinha também tinha sido calculada pela área da seção e entregava menos do que o previsto, e a cozinha operava em depressão excessiva, puxando ar pelas portas e frestas. Com uma coifa a menos na rede e alguns ajustes, a pressão necessária caiu, e a cozinha voltou à leve depressão, que é onde ela deve trabalhar.

Fornos elétricos com coifa exclusiva costumam ser outro bom candidato. Equipamento a gás, nunca.

Trocar um trecho de duto resolve?

Às vezes a geometria não basta, e mexer na rede entra na conversa. Aqui vale uma distinção que costuma se perder. Trocar um trecho de duto resolve quando esse trecho é a seção limitante, a menor seção por onde a vazão passa. Trocar outro trecho e manter a seção limitante no caminho não resolve: a perda de carga total diminui um pouco e o ventilador agradece, mas a velocidade continua acima do limite exatamente onde a seção é menor. Isso é mitigar, não resolver.

E quando nem isso é possível, as saídas estão na operação: reduzir o que se cozinha naquele ponto ou trocar o equipamento. Dizer isso com clareza também é parte do trabalho.

A diferença entre um projeto e um orçamento está exatamente aí. O orçamento responde quanto custa o que foi pedido. O projeto responde se o que foi pedido resolve.

02 Falar comigo

Tem um caso parecido?

Me descreva o que está acontecendo e eu te digo se o caminho é laudo, revisão de projeto ou projeto novo, antes de qualquer orçamento.

Se a sua rede também não pode mudar, traga a restrição junto com o problema. É ela que define o que dá para fazer, e quase sempre existe mais espaço de solução do que parece.

Gustavo Arrais Figueiredo, engenheiro mecânico responsável pela Arrais Figueiredo Conheça o engenheiro responsável →
Razão SocialG. Arrais Figueiredo Engenharia
Registro CREA-SP2831468
Responsável TécnicoGustavo Arrais Figueiredo
Telefone e WhatsApp(11) 96304-3490
AtendimentoSão Paulo e região. Projetos em todo o país.

Se o seu caso não for comigo, eu digo isso na primeira conversa.

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